Santa Inês

Santa Inês

Imagem: Shutterstock

Santa Inês viveu na segunda metade do século III e inícios do século IV. Jovem, nobre e bonita havia os que a cobiçavam maldosamente. Embora em tenra idade ela permanecia firme em seus propósitos, pois se consagrara ao Senhor. Recusando às propostas indecentes, foi acusada de ser cristã. Foi levada a um prostíbulo, mas ela permaneceu fiel. Puseram-na em uma fogueira, mas o fogo nada pôde fazer nela, não a queimou. Por fim, foi decapitada no ano 304.

Constantina, a filha do imperador Constantino, ergueu uma basílica em seu nome, na Via Nomentana, e se celebra sua festa litúrgica desde meados do século IV.

Antes de seu martírio foi muito flagelada, por exemplo, “ser arrastada por pesadas correntes”, mas nada lhe tirava a paz e a confiança em Cristo. Santo Ambrósio escreveu sobre ela, e a partir daí sabemos, por tradição, que ela foi martirizada aos doze anos.

 “Não tinha ainda idade para ser condenada, mas estava já madura para a vitória… Assim, foi capaz de dar fé das coisas de Deus uma menina que era incapaz legalmente de dar fé das coisas humanas, porque o Autor da natureza pode fazer que sejam superadas as leis naturais”, disse Santo Ambrósio.

Nas provocações indecentes de seus algozes, ela dizia: “Seria uma injúria para meu Esposo esperar a ver se eu gosto de outro; Ele me escolheu primeiro, Ele me terá. O que esperas, verdugo, para lançar o golpe? Pereça o corpo que pode ser amado com uns olhos aos quais não quero”.

Ela não temeu os infortúnios que lhe foram impostos. Permaneceu fiel. “Em uma só vítima teve lugar um duplo martírio: o da castidade e o da fé. Permaneceu virgem e obteve a glória do martírio”, concluiu Santo Ambrósio.

Santa Inês é representada como uma menina ou jovem orando, com diadema na cabeça e uma espécie de estola sobre os ombros, em alusão ao pálio. É acompanhada por um cordeiro aos seus pés ou em seus braços e rodeada de uma pira, espada, palma e lírios.

A pureza martirizada de Santa Inês faz parte, ainda hoje, dos ritos da Igreja. Em sua festa, 21 de janeiro, são oferecidos ao Papa os cordeiros, cujas lãs serão usadas para a confecção do pálio, o qual é produzido pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Cecília, em Roma.

Os pálios são dados aos arcebispos metropolitanos no dia 29 de junho, Solenidade de São Pedro e São Paulo. Até 2014, na mesma cerimônia, acontecia a sua imposição do pálio. Em 2015, o Papa Francisco fez uma modificação e o pálio passou a ser apenas entregue aos arcebispos neste dia e a imposição passou a acontecer nas respectivas arquidioceses, pelos Núncios Apostólicos locais.

Tenhamos, pois, uma santa inveja do exemplo de fé, coragem e amor incondicional a Cristo, como nos ensinou Santa Inês. Rogai por nós, ó Santa Inês.

Pe. Ferdinando Mancílio